Era 31/12/2020. O mundo inteiro assustado com a Covid-19, pessoas fazendo promessas para o ano novo, desejando saúde, estabilidade e qualquer esperança possível depois de um ano tão pesado. E eu? Desempregada, fazendo minha própria promessa silenciosa: “na primeira semana de janeiro vou arrumar um emprego”. E arrumei. Graças a uma indicação de uma tia, comecei a trabalhar para um senhor dono de banca de jornal. E aqui preciso reconhecer: sou grata pela oportunidade e pelos aprendizados. Sempre fui do tipo que não faz corpo mole. Precisava trabalhar? Então eu ia. Horário às 7h da manhã? Eu estava lá. O movimento era intenso, corrido, cheio de coisas para aprender. Atendimento, organização, vendas… gostei da experiência. Fiz amizade com uma funcionária incrível, dessas pessoas raras que a vida entrega sem aviso. Até hoje mantemos contato, porque amizade verdadeira não depende de frequência, depende de conexão. Foi ela quem me avisou: “Olha… a esposa dele é difícil. Boa pessoa, ...
Eu não sei vocês, mas quando eu chegava em emprego novo, eu observava primeiro. Ficava quieta, fazia meu trabalho e era eu mesma. Cargo? Operadora de caixa. E claro… não podia faltar a figura clássica do comércio brasileiro: a fiscal de caixa amarga da vida. Desde o primeiro dia ela tentou se aproximar. Queria amizade rápida demais, intimidade rápida demais e, principalmente, despejar veneno rápido demais. Falava mal da loja. Falava mal dos funcionários. Falava mal da gerência. Falava mal da própria vida. Mas como eu tinha entrado ali focada em trabalhar — afinal era perto da minha casa — deixei entrar por um ouvido e sair pelo outro. Sou dessas: gosto de ver com meus próprios olhos antes de comprar o discurso dos outros. E olha… com o tempo eu vi. Não lembro exatamente a ordem dos fatos porque foram quase dois anos naquele lugar, mas algumas situações ficaram gravadas. O dia dos salgadinhos empilhados Uma cliente passou vários fardos de salgadinho no meu caixa. Empilhei ...